quinta-feira, 27 de março de 2008

Ausência


Na escola me ensinaram a dizer bem alto "presente", logo quando chamassem por meu nome.

Levei um tempo pra perceber que não se tratava de dar ou receber algo...rsrs

E atentos ouvia-mos nome após nome, presente após presente, e logo aprendi que todos aqueles que não estavam em sala de aula eram ausentes. Havia sempre uma disputa pra ver quem avisava mais rápido a professora, era normal ouvir duas ou três crianças gritando ausente porque a Juliana faltou, ou pela Rafaela ou Ana Laura, engraçado como a escola popula nossas memórias com nomes, tudo culpa da chamada.

Minha professora do primário me ensinou a dizer presente, mas foi Dona Ruth, professora de portugês que me apresentou Drumond, e finalmente foi este quem me ensinou o que é ausência de verdade.

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência, essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

A ausência ,muitas vezes, é mais apaixonante que a presença...
A ausência é romântica e aperta o coraçao dos apaixonados (leia-se , Anderson e Lau hehehe)...
A falta sim , é dolorida.
Mas quem reclama de falta quando se tem um coraçao bem eficiente em seus propósitos?
Adorei o post.
Abraços , moço!

28 de março de 2008 às 12:48  

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